domingo, 5 de abril de 2020

[0217] (II) Há diversos crescimentos exponenciais


:
ZOOM … ID da reunião: …… Senha: ……
START!

: António: Olá Stor! Estamos todos, excepto a Beatriz. Ela ainda vai precisar de algum tempo até poder aparecer aqui. Mas eu e a Hirondina temos falado com ela e achamos que ela está bem disposta (tem a família toda a apoiá-la). Só mais uma coisa: temos algum trabalho de casa preparado, já discutimos um bocado entre nós, juntámos tudo em três grupos, agora queríamos ouvir o que o Stor diz … surprise, não é?!
: Professor: Se é assim, vou ouvir …
: Gustavo: O primeiro grupo é a da soma dos grãos de trigo em todos os quadrados. Achamos que não vai começar a pôr menções de «observador» neste e naquele, pois fomos vários a andar à volta disto e todos contribuíram - esqueça lá desta vez esses sinaizinhos na avaliação. Fizemos uma tabela, uma coluna com os grãos em cada quadrado, outra com a soma de grãos até aí, e a nossa conclusão foi que dá sempre o número de grãos do quadrado seguinte, menos um – será possível?
: Professor: Mostra lá a tabela.
: Gustavo: É esta, só fomos até ao quadrado número 15, mas bate sempre certo:
: Folha no ecrã (não está bem fixa, mas percebe-se):


: Gustavo: Está a ver, o «16 383», penúltimo número na coluna da direita, é igual ao «16 384», último número na coluna do centro, menos «1» …
: Professor (levantando o polegar direito): É isso mesmo! O que vocês fizeram foi uma demonstração experimental de que isso funciona entre o «quadrado 1» e o «quadrado 14». Mas é possível demonstrar que é sempre assim – vamos ver isso no Secundário. Parabéns, ó «observadores» …
: Cátia: Agora eu. Tenho uma pergunta. O Professor falou nisto como crescimento exponencial. Mas eu vi na internet outros exemplos que não são a multiplicar por dois
: Professor: Tomaste nota de algum desses exemplos?
: Cátia: Sim, mas não percebi, pois era sobre juros, e também era comparado com o que se está a passar com esta epidemia …
: Professor: O exemplo dos juros é bom. No caso dos grãos de trigo o crescimento do número de grãos é ritmado pelos quadrados: 1, 2, 3 quadrados, etc.. No caso dos juros, o ritmo depende do prazo que é dado. Por exemplo: devo 1 000 € ao banco e o banco diz-me que terei de pagar 14 % todos os anos. Eu decidi não pagar tão cedo, pelo que vou ter esta dívida durante vários anos. O ritmo é marcado pela sequência dos anos: 1, 2, 3 anos, etc.. Agora, o que é que acontece à dívida. Durante o «ano 1» ela é igual a 1 000 €. No primeiro dia do «ano 2» ela sobe 14 % em relação aos 1 000 €. Quanto é este aumento?
ËNem todos: 1 000  x  14  %  … dá 140!
: Professor: É isso mesmo. Então passo a dever …
: Vários: 1 000 mais 140 …. 1 140.
: Professor: Certo. No início do «ano 3» o aumento já não vai ser esse, pois passará a ser 14 % de 1 140 €. Que dá …?
ËVários: 1 140  x  14  %  … 159,6.
: Igor: Devemos … 1 299,6 €, Stor. Está a ficar pior. E acho que vai ser sempre pior … Primeiro 140, depois 159 e tal …
: Professor: Os juros são assim. E a epidemia também é assim, até um certo ponto (na próxima aula lá iremos). Há pelo menos duas conclusões acerca da pergunta da Cátia: a primeira é que o ritmo do crescimento exponencial pode ser marcado por coisas diferentes (um intervalo de tempo; a passagem de um quadrado para o seguinte; etc.); a segunda é que este crescimento pode ser mais ou menos rápido, sempre «x 0,14» no caso daqueles juros, sempre «x 2» no caso dos grãos de trigo, ou sempre «3», ou sempre «x 1,7», etc.. O que caracteriza este crescimento é ser sempre «vezes o mesmo número».
: António: Já não temos muito tempo e ainda falta o grupo que estudou a distribuição de todos os grãos de trigo sobre a superfície da Terra. Tivemos uma dúvida: era para espalhar só sobre os continentes e ilhas ou sobre toda superfície do planeta, seja ela sólida ou líquida?
: Professor: Podia ser de qualquer das formas, desde que fique explícito o que se fez.
: Joana: Então o que conseguimos juntar foi isto (não tente descobrir no que vou dizer nada para as menções, pode ser?). Num metro cúbico cabem aproximadamente 15 milhões de grãos de trigo, pelo que seriam necessários 1 200 quilómetros cúbicos para guardar todos estes grãos de trigo (não nos enganarmos nestas contas deu algum trabalho, Stor …). Depois, a superfície do planeta é de aproximadamente 510 100 000 quilómetros quadrados (não precisámos de perguntar à Stora de Geografia, andámos a bisbilhotar mais uma vez na internet). Mas só cerca de 29 % é terra firme, quase 150 000 000 quilómetros quadrados. Tivemos então que dividir os mil e duzentos por este número, o que deu 0,000 008; achámos que este número era em quilómetros (ao fazermos as contas ao contrário dava tudo certo). Então a altura dos grãos de trigo seria de 8 milímetros por toda a terra sólida. Bom, Stor, não é uma altura que impressione muito …
: Professor: De facto … Tinha ficado com a ideia de que os grãos ficavam com maior altura … Mas já li isso há muito tempo …
: Luís: Mas temos outra surpresa! Percebemos que a sua ideia era impressionar-nos para que percebêssemos que aquele número é muito, muito grande. E descobrimos outro modo de o mostrar (foi na internet, claro, mas confirmámos todas as continhas). Se o filósofo quisesse contar os grãos (não os recebeu, já sabemos, e ainda bem) e contasse um grão por segundo, sem parar (nem comia, nem dormia - nada), contava apenas 86 400 grãos por dia; para contar um milhão precisava de dez dias (já morto de fome e de sono); para contar os quinze milhões que cabem num metro cúbico precisava de quase meio ano; ora ele tinha de contar mil e duzentos quilómetros cúbicos, coisa para … mais de 30 000 000 000 anos!
: Professor: Vocês hoje convenceram-me!
: Todos: Tchau Stor, porte-se bem!

:
ZOOM
CLOSE

Sem comentários:

Enviar um comentário