domingo, 28 de outubro de 2018

[0147] A Galeria da Biodiversidade, no Porto


A Galeria da Biodiversidade e o Jardim Botânico que a rodeia fazem parte do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto.

Há, na Galeria, quatro painéis que mostram aos visitantes folhas colhidas no Jardim, com a sua cor já desvanecida, naturalmente, cada qual colocada sobre um quadrado que lembra como ela era colorida ao ser apanhada. Eis um fragmento de um desses painéis:


A questão central que a Galeria coloca é: PORQUÊ PRESERVAR A DIVERSIDADE?
E as suas respostas, explícitas, recorrem à Estética, à Ética, à Economia e à Ciência.

Especialmente interessantes, sob os pontos de vista da Matemática, da Física e da Biologia, são os expositores que procuram explicar porque há certas formas geométricas que são frequentes na natureza (e, nela inspiradas, nas nossas culturas), como acontece com a Esfera, o Hexágono, a Catenária, a Espiral, a Hélice, o Fractal, a Onda e a Ponta.
Recorrendo àquilo de que me lembro, e completando-o com o que conheço, eis alguns exemplos que ilustram a existência destas formas geométricas no(s) mundo(s) natural (e cultural):


Fonte: painéis patentes ao público na Galeria da Biodiversidade
Fotografia: Eva Maria Blum

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

[0146] Em torno da Casa da Música


A Casa da Música, inaugurada em 2005 na Praça de Mouzinho de Albuquerque, no Porto, é um edifício bastante invulgar, da autoria do arquitecto holandês Rem Koolhaas:


Segundo Murielle Hladik, é possível que o desenho da Casa da Música tenha sido inspirado num dos sólidos (um romboedro truncado) que Albrecht Dürer (1471-1528) incluiu na sua célebre Melencolia I (uma gravura em cobre de 1514):


Tenha ou não tido essa inspiração, os óbvios fundamentos geométricos da Casa da Música levaram a que, para efeitos comemorativos, fosse desenhada uma sua planificação …


… e foi com base nela que o professor José Santos dos Santos, por sua vez, propôs (no nº 95 da revista Educação e Matemática) um conjunto de actividades destinadas a serem usadas em sala de aula.

Fontes: artigos de Hladik (2006) e Santos (2007), em revistas; e sítios da Wikipédia, da Technische Universität Bergakademie Freiberg (para gravura de Dürer) e da Arcspace (para a planificação)
Fotografia: Pedro Esteves

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

[0145] Três livros que me abriram perspectivas sobre a docência


Por que razão terei escolhido os outros seis livros, dos sete que referi na mensagem anterior?

Os primeiros três têm claramente a ver com a profissão de professor. Referi-me já a dois deles, nas mensagens «0001» e «0101». O Investigando a Terra chamou-me a atenção para a possibilidade de os currículos não se basearem em disciplinas separadas, mas em temas integradores:


E o Da Realidade à Ação mostrou-me como qualquer disciplina se baseia em muito mais do que no mundo dos especialistas que a codificam:


O quarto livro, Pontes para o Infinito, faz parte de um largo conjunto de livros que têm sido publicados com a intenção de nos mostrar que a Matemática pode modelar muitas facetas da realidade e, portanto, ajudar-nos a compreendê-las. Eles tanto nos proporcionam instrumentos para que os nossos alunos explorem as questões colocadas pela sua curiosidade, como por vezes nos induzem, um tanto tecnocraticamente, a encarar a Matemática como a chave do Universo:


Escreveu o autor deste livro, na respectiva introdução:
Ao contrário dos demais cientistas, que observam a natureza por intermédio de todos os cinco sentidos, os matemáticos usam quase exclusivamente o sentido da imaginação. Isto é, os matemáticos estão tão familiarizados com o sexto sentido [a imaginação] como os músicos estão com os sons, os gastrónomos com os paladares e os aromas e os fotógrafos e cineastas com a vista. […]. Através das suas singulares criações, os matemáticos dão-nos informações da realidade sem a intenção, ou a capacidade de provar que algo existe ou não.

Fonte: Guillen (1987; p. 13)

domingo, 7 de outubro de 2018

[0144] Uma onda de leitores à volta do mundo … e «Paris é uma Festa»


Em Setembro recebi numa determinada rede social o seguinte desafio:

em cada um de sete dias seguidos divulgar a capa de um livro de cuja leitura tivesse gostado, sem qualquer outra explicação além da imagem …

E a este desafio poderia acrescentar um outro:

em cada um desses dias, ou só nalguns deles, desafiar outra pessoa a fazer o mesmo …

Rapidamente fui assaltado por esta questão:

e se durante a minha semana de publicitante de 7 livros eu decidisse mesmo desafiar outros 7 publicitantes, e todos aceitassem fazê-lo, desafiando cada um deles mais outros 7, e assim sucessivamente, nunca nenhum se escusando a fazê-lo – se não houvesse repetição de publicitantes, quando estariam todos os leitores de livros do planeta abrangidos?

Não haveria problema se houvesse livros repetidos, apenas não deveria haver leitores repetidos. Eis o raciocínio que segui:


Não sei quantos são os leitores deste mundo (precisam de já ter aprendido a ler … e de ler livros), mas certamente serão menos do que a actual população mundial, que se estima ser um pouco superior a 7 mil milhões. Ao fim de 12 semanas desta publicitação teórica de livros ainda só um pouco mais de 2 mil milhões de leitores teriam nela participado; mas ao fim de 13 semanas já mais de 16 mil milhões o teriam feito, acima do dobro da população mundial … Em um pouco menos de 3 meses todos os leitores deste nosso mundo se poderiam sentir irmanados pelas suas leituras …

Acho que 5 dos 7 livros que escolhi como leitor foram ditados pelo meu percurso como professor. As excepções foram o primeiro e o último. Devo o primeiro a Ernest Hemingway (1899 – 1961) e escolhi-o porque eu também vivi durante um ano em Paris:


Mas: não será interessante para um professor ter vivido durante algum tempo noutro país, de modo a entender os seus alunos que (cada vez em maior número) têm ligações a outras culturas?

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

[0143] Magnólia, pioneira das plantas com flor

A Magnólia-branca (cujo nome científico é Magnolia grandiflora) é uma árvore originária do Sudeste do continente norte-americano e foi introduzida na Europa no século XVIII, sendo muito cultivada em jardins e parques.
A família das Magnoliáceas (de que a Magnólia-branca faz parte) foi pioneira na produção de flores, possuindo as suas estruturas reprodutivas e anatómicas semelhanças com as plantas que a antecederam.

As flores da Magnólia-branca são brancas, aromáticas e de dimensão invulgar (cerca de 25 centímetros de diâmetro), surgindo no final da Primavera. Por não possuírem néctar, a polinização é geralmente feita por escaravelhos, atraídos pelo seu aroma e pela possibilidade de se alimentarem das estruturas florais:


Os frutos estão estruturados como uma pinha, que atinge a maturidade no Outono e dispersa as sementes de cor vermelha, com a ajuda de aves e de mamíferos:


A vida na Terra só começou a produzir flores há cerca de 140 milhões de anos, no início do período Cretácico. Hoje as plantas com flor conta com umas 300 mil espécies, sendo o grupo de plantas dominante.
Num estudo internacional divulgado o ano passado, onde se combinou matematicamente as informações sobre a estrutura e sobre a genética das plantas com flor, conclui-se que a aparência das flores originais (no centro da imagem seguinte) seria próxima da aparência da actual flor da Magnólia, tendo sido a partir dela que todas as outras flores evoluíram:


Fontes: indicações públicas prestadas no Jardim Botânico da Universidade de Lisboa; notícia de Serafim (2017), de onde também foi extraída a imagem com a evolução das flores
Fotografias: Eva Maria Blum